A sindactilia é a junção de um ou mais dedos, variando desde um pequeno aumento do espaço interdigital até os mais variados graus de junção óssea. O termo foi utilizado pela primeira vez em 1847 por
Velpeau.
É uma das malformações mais comum das mãos. A associação com diferentes anomalias e síndromes é freqüente. Há uma incidência de 1:2400 nascimentos, com predominância duas vezes maior no sexo masculino e com 40% de possibilidade de hereditariedade. Ocorre em proporção igual seja uni ou bilateral e é dez vezes mais comum na raça
branca3.
Os geneticistas diferenciam cinco tipos, onde a malformação é dominante e cada criança tem uma chance de 50% de ter a malformação, independentemente de seus pais terem ou não. O aconselhamento genético é
difícil3.
Tipo I – Zigodactilia – sindactilia entre os 3º e 4º quirodáctilos
É o mais freqüente dos tipos.
Tipo II – Sinpolidactilia – igual ao Tipo I com polidactilia (Duplicação)
Do 4º quirodáctilo entre os dois.
Tipo III – Sindactilia entre os 4º e 5º quirodáctilos (usualmente bilateral e
ocasionalmente a falange distal é fusionada).
Tipo IV – Sindactilia de Hass – Fusão de todos os dedos com possibilidade
6º metacarpo.
Tipo V – Sindactilia dos 3º e 4º quirodáctilos e 2º e 3º quirodáctilos.
Classificação:
Malek propõe uma classificação simples: Sindactilia completa, Sindactilia das duas primeiras falanges, Sindactilia das primeiras falanges e Sindactilia unicamente da falange distal que chama tipo D. Uma classificação deve levar em consideração o envolvimento da pele e a presença ou ausência de envolvimento ósseo e eventual complexo ungueal3.
Tratamento:
É comum encontrar-se pacientes adultos sem terem sido operados por vários motivos: falta de condição, ignorância ou temor. Figura 70.3. Na maioria das vezes são os pais que acompanham seus filhos, pois não querem que os filhos passem pelos mesmos problemas que tiveram: Problemas de ordem funcional ou estética.
É freqüente haver uma consulta nos primeiros dias de vida nos pacientes portadores de deformidades congênitas. Geralmente vem em grande comitiva, acompanhados por pais e avós, principalmente no primogênito. Flatt3 afirma que “não devemos perguntar quão cedo devemos operar e sim quanto à mão pode esperar”. Afirma ainda que velhos adágios sejam obsoletos, como: “esperar até a gordura desaparecer”, ou, “faça antes dos 7 e revise aos 14”. Deve ser assegurado aos familiares que o tempo da cirurgia dependerá da gravidade do caso e do dedo envolvido. O polegar e o 5º quirodáctilo deverão ser separados ràpidamente para que a mão seja reconhecida como elemento de preensão. Não se justifica operar as duas mãos ao mesmo tempo. Como um dedo de maior tamanho fusionado com outro de menor, quando do crescimento em
sindactilia, haverá um desvio do menor, justificando a cirurgia antes de um ano de idade. Nos raros casos de Sindactilia com o polegar, esse deverá ser separado aos seis meses.
Tratamento:
O tratamento da sindactilia é descrito há vários séculos. Em 1810, Zeller e em 1881
Tander, citados por Gould4, preconizavam o uso de retalhos triangulares. O enxerto de pele já era preconizado em 1891. Flatt3 cita que há cerca de 200 anos os cirurgiões tem separado os dedos e que nessa experiência alguns princípios foram adquiridos e que, mesmo em pequenas diferenças nas técnicas, é aceito que:
O espaço interdigital é realizado com retalho local, geralmente dorsal.
Os dedos são desengordurados antes do fechamento.
As faces laterais dos dedos são fechadas com retalhos em ângulos agudos, em
zig-zag.
As áreas cruentas são fechadas com enxertos de pele.
As anomalias do esqueleto são corrigidas.
Somente uma face de um dedo é operada no mesmo tempo cirúrgico.
Uma técnica meticulosa é essencial. Uso de lupa.
O curativo é parte essencial da cirurgia.
As técnicas empregadas atualmente derivam das descritas por Cronin-Bauer e
Tondra-Trusler, modificadas por Flatt que empregam retalhos em zig-zag e diferentes desenhos para construção da comissura. Vários autores modificam o desenho original e pequenos detalhes técnicos, afirmando melhorar o resultado estético.
|