Classificação das Deformidades Congênitas


O sistema ideal de classificação deveria ser baseado na causa, entretanto pouco se sabe da maioria das anomalias congênitas da mão. Nós sabemos o bastante para entendermos que uma determinada causa pode ter diferentes efeitos e o mesmo efeito pode ter uma miríade de causas3.
Segundo Flatt3 não existe e talvez jamais exista uma classificação compreensiva das deformidades congênitas da mão. O valor de uma classificação é de criar uma linguagem comum possibilitando comparações a serem feitas e índices de incidência na população de certa deformidade. Segundo Zancolli, o maior valor das classificações está na possibilidade de estabelecer um mesmo tratamento.
Desde o século XIX, quando Saint-Hilaire publicou uma classificação das deformidades congênitas dos homens e animais, foram introduzidos termos como: focomelia, hemimelia, ectromelia. A confusão aumentou com o uso indiscriminado de raízes gregas e latinas como: Aracnodactilia, Braquidactilia, Campodactilia, Cliartrose, Clinodactilia, Electrosindactilia, Macrodactilia, Meromelia, Simbracdactilia, Talipomanos, onde glossários são usados para tentar uma perfeita decodificação. Uma classificação deveria levar em consideração os interesses de anatomistas, geneticistas, cirurgiões, radiologistas etc.
Kelikian, citado por Flatt3 listou 21 tabelas de classificação baseadas em:
Discrepâncias de número e tamanho
Simplicidade
Embriopatia
Deformidades endógenas e exógenas
Deficiências do esqueleto
Peculiaridades compreensivas e anatômicas.
Uma classificação prática, segundo Swanson12 deveria empregar uma terminologia simples, ser de fácil memorização para descrever os elementos clínicos usuais, com um mínimo de confusão, permitindo uma classificação completa por categorias. Essa classificação deveria grupar as malformações segundo os fatores etiológicos, muitos deles ainda obscuros. Ele propôs uma classificação em 1964 onde grupava os diferentes casos segundo o segmento que foram primariamente deformados pelos problemas de desenvolvimento embriológico. Os comitês das Sociedades Americana de Cirurgia da Mão (ASSH) e a Federação Internacional das Sociedades de Cirurgia da Mão (IFSSH) desenvolveram uma classificação que foi publicada na revista Clinica Cirúrgica da América do Norte em Outubro de 1968 por Swanson, Barsky e Entin12.
Nessa Classificação, Tabela 70.1, há uma divisão em sete grandes grupos:
I. Defeito na formação dos segmentos – Parada de desenvolvimento
II. Defeito de diferenciação dos segmentos – Separação
III. Duplicação
IV. Gigantismo
V. Hipoplasia
VI. Brida Amniótica
VII. Anomalias generalizadas do esqueleto
As categorias dentro dessa classificação são artificiais e uma clara distinção biológica entre a formação e distinção dos elementos não existe. Há uma sobreposição dos dois elementos que interagem. Quando multi fatores são presentes é difícil distinguir qual é predominante e algumas deformidades devem ser classificadas independentemente. Existem deformidades complexas que são inclassificáveis4.

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